Pico do Itambé visto de Capivari
As fotos estão em
https://picasaweb.google.com/116531899108747189520/CircuitoPeloPicoDoItambeSerraDoEspinhacoMGJun12.
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o Pico do Itambé era um projeto já antigo. Ao descobrir que havia duas
trilhas de acesso ao cume, a idéia de uma travessia foi imediata. E que
tal voltar ao ponto de partida, a vila de Capivari, passando ao largo do
pico por uma tal Trilha dos Tropeiros? Melhor ainda. Para fechar, só
faltava mesmo chegar a Capivari a pé. Pronto, estava montada uma pernada
de três dias que tinha como protagonista um dos pontos mais altos da
Serra do Espinhaço. Na verdade, a idéia era esticar ainda bastante essa
travessia para o norte, mas acabou não acontecendo, como contarei mais
abaixo.
EM SÃO GONÇALO DO RIO DAS PEDRAS
Cheguei
a São Gonçalo do Rio das Pedras, simpático vilarejo que é distrito do
Serro, de ônibus às 14h de um sábado. Procurei um lugar para almoçar e
me indicaram o bar da Dona Lucília. Foi um achado. O lugar é simplérrimo
mas ela recebe com um grande sorriso e prepara parte da comida na hora
de acordo com o gosto do freguês. Para acompanhar, fez para mim um
delicioso suco com carambolas do seu quintal.
Para fazer a
digestão, nada melhor que uma caminhadinha. E depois de andar 10,6km
(ida e volta) até a Cachoeira da Grota Seca decidi passar a noite em São
Gonçalo e começar a travessia só na manhã seguinte. Ali, assim como em
outros povoados da região, há um tipo de hospedagem chamado receptivo
familiar (iniciativa do Sebrae Minas) em que uma família recebe o
visitante em sua casa e oferece refeições e café da manhã. O hóspede
ocupa um dos quartos vagos e divide com a família o restante da casa (o
banheiro inclusive). Como almocei no bar da Dona Lucília e ela tem
receptivo familiar, resolvi passar a noite em sua casa.
1º DIA: DE SÃO GONÇALO DO RIO DAS PEDRAS A CAPIVARI
Após
tomar um super café da manhã no bar da Dona Lucília, dei início à minha
caminhada (sob o olhar de espanto dela por eu me aventurar sozinho) às
9h30 subindo a Rua Nova (é a rua do bar dela) e entrando à direita na
Rua do Fogo (1092m de altitude). O caminho para Capivari é esse, sem ter
como errar. Em poucos minutos as casas ficam para trás e às 10h a rua
já virava uma trilha. Alguns trechos de areia fofa, mais chatos de
caminhar, e às 10h36 cruzo uma porteira e começo a subir a Serrinha. A
trilha bordeja pela esquerda o morro de pedra do qual vinha me
aproximando havia algum tempo e alcança a casa do seu Zé e da Dona Maria
pelos fundos, onde os cachorros dão o alarme da minha aproximação às
11h22. Fui calorosamente recebido pelo casal, gente simples da roça, e
me sentei um pouco em sua sala para um dedo de prosa. Saindo de sua
propriedade pela porteira principal às 11h43, não tomo a estrada de
terra bem em frente e sim a trilha à esquerda. Depois de dois riachos e
duas porteiras, já avisto o povoado de Capivari, mas não pretendo ir até
lá e sim rumar direto ao pico. Às 12h39 alcanço uma estrada precária
que me leva em pouco mais de 100m à esquerda a um rio um pouco largo,
onde demorei algum tempo para encontrar um local de travessia sem
precisar tirar as botas. Feito isso, peguei a continuação da estrada na
outra margem e toquei para o norte, subindo bastante.
A
nebulosidade não permitia saber ao certo onde estava o pico. Depois de
dois colchetes, uma outra estradinha que aparece à esquerda deve levar à
Cachoeira do Amaral, mas não fui conferir. Me mantive na estrada
principal também na bifurcação seguinte e às 14h37 passei pela placa que
marca o início da trilha para a Cachoeira do Tempo Perdido. Menos de
200m depois entrei à esquerda numa porteira azul e comecei a descer na
direção de algumas casas, mas fui parado por um homem num jipe que me
disse que ali era propriedade particular e não o caminho para o Pico do
Itambé. Voltei de carona com ele à porteira e à estrada principal e
continuei para a esquerda, tomando a esquerda novamente na bifurcação
bem próxima (à direita eu desceria para Capivari). Daí a estrada desceu
bastante e às 15h20 começaram a aparecer algumas formações rochosas
diferentes num local chamado Serra da Bicha, referência às onças da
região. Andei uns 800m tirando fotos dessas rochas, cruzei com um
morador local com sua mula e em seguida ocorreu algo inesperado. Um
rapaz numa moto me parou e perguntou se eu pretendia subir o pico.
Respondi que sim e ele disse que sem uma autorização eu não poderia
fazer isso. E que eu poderia conseguir a autorização em Capivari. Disse
que não adiantava eu continuar pois iria ser barrado na guarita do
parque. Diante disso, fui obrigado a voltar até aquela bifurcação que
desce ao vilarejo e seguir para lá.
Cheguei a Capivari às 17h05 e
procurei o Gonçalo, como orientou o rapaz da moto. Ele me disse que
normalmente a subida é agendada com mais antecedência já que um ou dois
guarda-parques são deslocados para o cume e que costuma ser acompanhada
de um monitor. Mas fez contatos pelo rádio e se esforçou ao máximo para
conseguir a autorização para eu subir no dia seguinte. Mostrei-lhe que
tinha experiência em trekking e estava bem equipado e ele sentiu
confiança em me deixar subir sozinho. Resolvi então fazer a travessia do
pico em um dia, descendo à tarde para dormir em Santo Antônio do Itambé
e retornando no dia seguinte a Capivari pela Trilha dos Tropeiros, que
corre ao sul do pico. Porém combinamos de eu chegar à outra portaria do
parque no máximo às 17h, que é o horário de fechamento. Como todos os
funcionários se comunicam por rádio, eles iriam monitorar a minha
travessia e se eu não aparecesse até esse horário alguém seria incumbido
de sair à minha procura. Para facilitar, deixaria a cargueira com ele e
subiria só com a mochila de ataque. Mais leve, caminharia mais rápido.
Tudo
isso foi conversado na casa do Gonçalo, onde acabei me hospedando
também já que ele está no programa de receptivo familiar. Aliás, logo
que entrei a sua esposa Noêmi já foi me perguntando se eu queria jantar,
antes mesmo de eu saber que ia me hospedar ali. Acomodei-me num dos
dois quartos disponíveis para hóspedes e jantei fartamente. A Noêmi faz
um suco delicioso de limão-cravo, hortelã e couve, tudo do quintal dela.
Mais tarde andei um pouco pelo povoado para fazer um reconhecimento, mas voltei logo pois ia acordar muito cedo no dia seguinte.
Outra
coisa que conversei com o Gonçalo foi sobre a minha intenção de no
retorno fazer a travessia dali de Capivari até o Parque Estadual do Rio
Preto, 24km ao norte, e ele ficou de ver a autorização para eu entrar
naquele parque. Esses dois parques (Pico do Itambé e Rio Preto) são
bastante vigiados e já deu para perceber que andar por eles sem ser
notado não é muito fácil. No caso do Pico do Itambé, quase todos os dias
um funcionário é destacado para subir ao cume, mesmo que não haja
visitantes. Na época mais seca, devido ao risco maior de incêndio, os
funcionários se revezam 24 horas no cume para monitoramento de toda a
área.
Nesse dia, com as idas e vindas, caminhei 22,6km.
Altitude em São Gonçalo do Rio das Pedras: 1092m
Altitude em Capivari: 1178m
2º DIA: DE CAPIVARI A SANTO ANTÔNIO DO ITAMBÉ ATRAVÉS DO PICO DO ITAMBÉ
Pico do Itambé visto de sua base
O
Gonçalo conseguiu para mim uma carona no ônibus escolar que vai até um
local chamado Poço Preto, o que me adiantou 6,5km de pernada. Ele passou
bem cedo, às 6h, e me deixou no Poço Preto às 6h40 (1205m de altitude).
Cruzei um riacho e uma porteira e comecei a longa caminhada do dia por
uma trilha com algumas casas afastadas à direita. Vários riachos e
porteiras depois, passo às 7h46 próximo a uma outra casa uns 100 metros à
esquerda, logo depois de uma pequena cachoeira à direita. Essa
travessia tem dois pontos críticos em que é muito fácil errar e o
primeiro deles está uns 1000m depois dessa casa, onde a trilha segue bem
marcada em frente, subindo, mas o caminho para o pico sai para a
direita, entre os troncos fincados de uma antiga cerca. Entrando então à
direita, o caminho segue bem largo entre a vegetação alta e voltam a
aparecer as rochas de formato estranho. Na segunda porteira, às 8h42,
topei com uma placa grande de madeira do Parque Estadual do Pico do
Itambé, mas nada de guarita, como haviam me dito.
Logo depois
dessa porteira, o ponto mais confuso da subida: o gps me mandava subir à
direita porém era uma encosta de pedra vertical e eu não via caminho
nenhum para subir. E a trilha continuava bem marcada (e até com
variantes) para a frente. Para piorar, o pico continuava completamente
encoberto e eu caminhava em meio à neblina. Resolvi seguir uma das
trilhas em frente pois eram muito batidas e parecia ser o mais óbvio, ou
até mesmo a única opção. Comecei a caminhar por um platô ao norte do
pico quando às 9h15 finalmente a neblina resolveu se dissipar e pude ver
o Itambé bem perto, uma longa parede rochosa que se estendia de leste a
oeste. Imaginei que fosse contorná-lo pela outra extremidade para subir
por algum caminho menos íngreme e continuei. Porém comecei a encontrar
trilhas em várias direções que desapareciam ao se aproximarem do
paredão. Fui e voltei várias vezes, tentando vários caminhos e perdendo
muito tempo. Já passava das 10h30 e o horário limite para eu atingir o
cume estava próximo pois ainda tinha uma longa caminhada de descida até
Santo Antônio do Itambé, tendo de dar sinal de vida na portaria até as
17h. Como última alternativa, decidi procurar a trilha gravada no gps,
aquela que supostamente começava na parede após a porteira. E
encontrei-a na extremidade oeste (eu tinha ficado batendo cabeça lá do
outro lado, na ponta leste) subindo diretamente para o pico, que nessa
hora estava bem visível com o céu limpo. Inconformado com o erro e o
tempo perdido, desci até a porteira para registrar o caminho correto e
saber exatamente em que ponto da encosta de pedra eu deveria ter subido.
Um totem ou uma placa ali ajudariam demais.
Ao subir de volta,
agora com certeza de atingir o cume, encontrei um guarda-parque que
desceu ao meu encontro quando viu que eu estava andando de um lado para o
outro. Subimos juntos e a escalaminhada não foi fácil. A subida é
forte, íngreme, com bastante trepa-pedra. Há ainda duas passagens bem
estreitas no meio dos blocos de pedra em que é preciso tirar até a
mochila de ataque. Mas finalmente o terreno nivela e começamos a
caminhar por entre uma vegetação bastante diferente devido à altitude. E
às 12h36 finalmente alcanço o cume do Itambé, a 2055m, onde duas casas
antigas e em mau estado acomodam os funcionários que sobem
frequentemente para observar focos de incêndio e monitorar os visitantes
que acampam ali. O desnível desde o Poço Preto foi de 850m. A visão é
espetacular: para o norte, era possível ver serras, picos e vales a
perder de vista, já no quadrante sul a visão era parcial por causa da
nebulosidade e não era possível avistar Santo Antônio do Itambé, meu
destino final nesse dia. Mas conseguia ver a pequenina Capivari (apenas
490 habitantes!) quase 9km a sudoeste. As nuvens também eram um
espetáculo por si só pois, como eu estava acima delas, eram como um mar
branco com o céu estupidamente azul acima, tal qual a visão da janela de
um avião.
Há também ali no topo um pequeno cruzeiro de
concreto, próximo às casas. Várias plaquinhas brancas apontam uma fonte
de água, mas não fui até ela.
A vontade era de ficar muito mais
tempo, mas a descida seria bem mais longa que a subida. Assim, às 13h08
deixei o cume. O funcionário me falou da sinalização que há nesse lado
do pico, que foi bastante útil pois mergulhei na densa neblina logo que
comecei a descer. Ele ficou de plantão lá. Às 13h16 encontrei do lado
esquerdo da trilha a "pedra do pato", que vinha procurando desde o topo.
E às 13h30 a famosa ponte pênsil sobre uma enorme greta (chamada
Rebentão), para minha surpresa novinha em folha.
A descida por
essa face leste tem 13,2km (até Santo Antônio do Itambé) e é bem mais
suave. A subida pela face oeste tem distância parecida (12,9km desde
Capivari) e é tranquila só até atingir o paredão do pico, quando vira
uma escalaminhada, como disse. Para subir com mochila cargueira, esse
lado de Santo Antônio do Itambé é bem melhor, apesar do desnível de
1349m desde a cidade.
Muitas formações rochosas estranhas e
curiosas e a vegetação bem própria desse microclima, muito diferente do
cerrado lá embaixo, ainda são a paisagem ao redor durante a descida. Às
14h09, uma hora após deixar o cume, reapareceu a água. Mais 40 minutos
de caminhada, outro ponto de água e um casebre com gado, mas parecia não
haver ninguém no momento. Passei um colchete e mais abaixo a trilha se
transformou numa estrada, às 15h03.
Esse lado do parque tem como
atrativo algumas bonitas cachoeiras com acesso sinalizado a partir
dessa estrada interna. Às 15h18 topei com a primeira, ou melhor, com a
placa que indica a trilha para a primeira delas, a Cachoeira do Rio
Vermelho, distante dali 2,8km, mas essa não tive tempo de conhecer.
Nesse local, a direção geral que vinha sendo leste desde o pico, passa a
ser sempre sul, sem variações. E a estradinha, pelo mau estado, só é
apropriada para carro alto. Para quem tem um carro assim é possível
entrar com ele no parque e ir até o casebre mencionado, onde a trilha
inicia. Isso adianta 8,5km de subida desde Santo Antônio do Itambé.
Às
15h41 outra placa mostra o acesso à direita à Cachoeira do Neném. Como
distava só 1km da estrada, fui correndo lá dar uma espiada. O lugar é
muito bonito, a queda não é alta mas o poço é grande e bem escuro. Para
evitar erosão na encosta, há uma escadaria de madeira até o poço. Do
alto da escadaria há uma trilha que se enfia no mato e leva a um ponto
do rio mais abaixo onde há um interessante sumidouro.
Voltei à
estrada e continuei a descer. Logo tive a primeira visão da pequena
Santo Antônio do Itambé, ainda um pouco distante. Às 16h56 passei pela
placa da Cachoeira da Água Santa, só 638m à esquerda, mas como meu tempo
estava se esgotando, não pude conhecê-la. Foram só mais 260m e às 16h59
alcancei a portaria, onde o funcionário já começava a ficar ansioso
pela minha chegada. Felizmente correu tudo bem e não foi preciso
deslocar ninguém por minha causa.
Descansei um pouco e às 17h09
descemos juntos o restante da estrada até a cidade (mais 2,7km). Ele me
mostrou um atalho por uma trilha à esquerda da estrada que nos poupou
uns 550m de caminhada. Às 17h25 parei para fotos da Ponte de Pedra e ele
continuou. Fiquei menos de 10 minutos ali e segui. Logo começaram a
aparecer as primeiras casas de um bairro e às 17h40 uma outra estrada
sai para a direita, exatamente onde um conjunto de placas indica os
atrativos da cidade. Descobri então que a Trilha dos Tropeiros (meu
caminho de volta a Capivari) era por ali, assim como o Lajeado, o
Lajedão e a Cachoeira da Fumaça. Cheguei ao centro da cidade às 17h55 e
me hospedei na Pousada Pé da Serra, na rua da Igreja Matriz. Jantei no
Restaurante Moinho Santo Antônio.
Nesse dia, com os perdidos na subida do pico e o desvio para a Cachoeira do Neném, caminhei 28,1km.
Altitude em Capivari: 1178m
Ponto mais alto da travessia: 2055m
Altitude em Santo Antônio do Itambé: 706m
Desnível do cume a Santo Antônio do Itambé: 1349m
3º DIA: DE SANTO ANTÔNIO DO ITAMBÉ DE VOLTA A CAPIVARI PELA TRILHA DOS TROPEIROS
Parte alta da Cachoeira da Fumaça
Quando
eu descobri a Trilha dos Tropeiros, não fazia idéia de que ela estaria
dentro dos limites do Parque Estadual do Pico do Itambé. Foi o Gonçalo
quem me deu essa informação e acrescentou que eu precisaria de uma
autorização para percorrê-la. E que ele mesmo não poderia dar essa
autorização porque eu iria começar por Santo Antônio do Itambé. Por
isso, tive logo cedo de ir à sede do parque na Fazenda São João, a 2km
da cidade, para pegá-la. Para me atrasar um pouco mais, peguei o caminho
mais longo para chegar lá. O correto é pegar a rua à direita ao lado da
Igreja Matriz (e não subir a rua sempre em frente, como eu fiz). Na
volta, fiz o caminho certo e dei uma olhadinha na Cachoeira do 32,
apenas um rio largo que costuma lotar nos finais de semana por ser
praticamente dentro da cidade.
Com tudo isso e mais uma passagem
pelo posto de saúde para tratar dois dedos infeccionados, acabei
iniciando a caminhada às 11h30, muito tarde. Saí da cidade pelo mesmo
caminho por onde cheguei no dia anterior e fui até o conjunto de placas
da bifurcação que mencionei, onde fui para a esquerda. Andei apenas
1,1km pela estrada e já encontrei a placa do Lajeado à direita. Desci
pela estradinha 450m para conhecer. Trata-se de um ribeirão que corre
por lajes de pedra. Ao lado fica o Restaurante e Camping Rancho do Vale,
mas o acesso ao local é livre. De volta à estrada, bastou andar mais
120m e topei às 12h15 com a placa do Lajedão, com acesso por uma
porteira. O caminho é bem diferente, por uma trilha de 920m que desce em
meio à mata alta. Ao chegar à cerca de um sítio basta subir e
contorná-lo pela direita. O rio aqui também corre pelos lajedos porém é
um recanto mais selvagem e bonito comparado ao Lajeado, que tem mais
cara de balneário.
De volta à porteira e à estrada, continuei
para a esquerda cerca de 700m e surge a placa que aponta a parte baixa
da Cachoeira da Fumaça, inicialmente uma estradinha à esquerda que
desceu forte até desembocar no sítio do seu Adair, onde fui recebido por
duas mulheres que moíam e torravam uma grande quantidade de mandioca
para fazer farinha. Dali bastou cruzar o terreno, caminhar pela trilha
até o rio e subi-lo à direita pela margem para alcançar às 13h20 a bela
cachoeira escondida no fundo dos paredões. Lugar muito bonito. O rio é o
mesmo do Lajedão, o Ribeirão Areia, segundo a carta topográfica. De
volta à casa, encontrei o seu Adair. Ele me pediu para assinar seu livro
de visitas e me acompanhou por um atalho para chegar à parte alta da
cachoeira, economizando o retorno à estrada e uma grande volta. A parte
alta também é bem bonita, com pequenas quedas e a possibilidade de
chegar até a garganta da cachoeira. Ali também foi instalada uma
escadaria de madeira para conter a erosão da encosta íngreme. Para
continuar a travessia, eu precisava voltar à estrada. Subi a escada e
continuei reto até um pé de manga, passei um quebra-corpo e caí numa
estradinha que bastou tocar para cima para alcançar a estrada principal
às 14h22, onde mais placas indicam esse acesso à parte alta da Cachoeira
da Fumaça. A estrada já estava quase no fim, bastou andar 800m à
esquerda para ela virar uma trilha com uma porteira. Mais alguns metros e
passo pelas últimas casas desse lado da travessia. Ali o caminho mais
marcado sobe à direita, bem próximo das casas, mas o certo é descer pelo
pasto à esquerda e cruzar outra porteira para encontrar a continuação
da trilha bem abaixo. Uma placa do parque indica que a Trilha dos
Tropeiros tem 11.993m de extensão, grau de dificuldade alto e tempo
aproximado de 7 horas.
Às 15h05 me deparei com um rio raso e
calmo porém largo e sem pedras para ajudar na travessia, o que me
obrigou a tirar as botas. Poucos metros depois, uma bifurcação onde subi
para a direita. Às 15h23 um ponto de água mais confiável que os rios
pelos quais passei. Já estava a 1056m e logo a visão começou a se
ampliar, podendo vislumbrar vales e montanhas próximos. Nesse ponto
encontrei, ou melhor, fui encontrado por dois guarda-parques que já
estavam à minha procura por causa do horário. É que restavam duas horas
de luz apenas e muitos quilômetros ainda pela frente. Às 16h30 cruzamos a
porteira que é o limite do parque e próximo dali eles me mostraram
interessantes pinturas rupestres. Nessa porteira nos separamos, eles
seguiram por uma trilha para o norte para pegar a moto, eu continuei
pela Trilha dos Tropeiros para oeste, descendo a um riacho e subindo a
encosta do outro lado. Aqui a visão do Pico do Itambé é magnífica! Foi
motivo para muitas fotos. Ao final dessa subida, exatamente numa
porteira às 17h12, atinjo o ponto mais alto da travessia: 1372m. Às
17h20 passei pela cabeceira de um imenso vale que se abriu à minha
direita e foi ali que assisti e fotografei o por-do-sol. Com a luz
natural se esvaindo apertei o passo. Foi uma pena passar correndo por um
trecho com muitas formações rochosas com formatos curiosos, mas a
luminosidade era mesmo muito baixa para fotos. Às 17h54 caí numa estrada
e segui para a direita. Um dos guarda-parques me aguardava mais à
frente nessa estrada, na escuridão. Às 18h12 começaram a aparecer as
primeiras casas de Capivari. Mais 10 minutos e chego à casa do Gonçalo,
que não estava pois havia levado um garoto acidentado ao pronto-socorro
no Serro. A Noêmi preparou a janta para mim e fui dormir cedo, acabei
não vendo o Gonçalo esta noite, mas já sabia que ele não tinha
conseguido a autorização para eu entrar no Parque Estadual do Rio Preto
porque a reforma lá ainda não terminou. Teria então de acionar o plano
B.
Nesse dia caminhei 22,7km contando os desvios para visitar as cachoeiras e sem contar a caminhada até a sede do parque.
Altitude em Santo Antônio do Itambé: 706m
Ponto mais alto da travessia: 1372m
Altitude em Capivari: 1174m
No
dia seguinte deixei Capivari no ônibus das 5h45 em direção ao Serro
para imediatamente seguir para Diamantina e dar início à travessia pela
antiga estrada de ferro Diamantina-Corinto (fiz o trecho
Bandeirinha-Rodeador em 3 dias; o relato está em
http://trekkingnamontanha.blogspot.com.br/2012/08/relato-travessia-diamantina-rodeador_4682.html).
Informações adicionais:
O site oficial do Parque Estadual do Pico do Itambé é
www.ief.mg.gov.br/areas-protegidas/206.
O Parque Estadual do Pico do Itambé funciona de quarta a segunda-feira das 8h às 17h. Para subir o Pico do Itambé é preciso solicitar autorização com pelo menos 24h de antecedência, seja com pernoite ou não, seja por Santo Antônio do Itambé ou por Capivari. O telefone é 33-3428-1372 e o e-mail é peitambe@meioambiente.mg.gov.br. Para fazer a travessia Santo Antônio do Itambé-Capivari pela Trilha dos Tropeiros também é necessário pedir autorização com 24h de antecedência. A única área de acampamento do parque fica no pico, por sinal bem pequena e com água de acesso meio complicado.
Alguns gastos:
. almoço na Dona Lucília (São Gonçalo do Rio das Pedras) - R$10
. hospedagem e café da manhã na Dona Lucília (São Gonçalo do Rio das Pedras) - R$30
. janta na casa do Gonçalo (Capivari) - R$10
. hospedagem e café da manhã na casa do Gonçalo (Capivari) - R$30
. PF no restaurante Moinho Santo Antônio (Santo Antônio do Itambé) - R$9
. Pousada Pé da Serra com café da manhã (Santo Antônio do Itambé) - R$30
Horários do ônibus de São Gonçalo do Rio das Pedras (Transfácil - 38-3541-4091):
. Serro-São Gonçalo do Rio das Pedras:
seg a sex - 11h45, 16h30
sáb - 13h
dom e feriado - não há
. São Gonçalo do Rio das Pedras-Serro:
seg a sex - 6h, 13h
sáb - 6h
dom e feriado - não há
(tempo de viagem: 1h)
Horário do ônibus de Capivari (Transfácil - 38-3541-4091):
. Serro-Capivari: seg a sex - 12h30
. Capivari-Serro: seg a sex - 5h45
sáb, dom e feriado não há
Mais informações sobre o receptivo familiar/turismo solidário em Minas no site
www.turismosolidario.com.br.
Carta topográfica de Rio Vermelho (
http://biblioteca.ibge.gov.br/visualiza ... -Z-B-I.jpg)
Rafael Santiago
junho/2012