quarta-feira, 9 de abril de 2014

Travessia Penedo-Serrinha do Alambari (RJ) - abr/14

ImagemVale do Rio Alambari, já na chegada à Serrinha

As fotos estão em https://picasaweb.google.com/116531899108747189520/TravessiaPenedoSerrinhaDoAlambariRJAbr14.

Em um dia fizemos a travessia de Penedo à Serrinha do Alambari e retornamos. A volta foi por um caminho um pouco diferente da ida, um pouco mais longo, mas com a recompensa de uma bela cachoeira.

PENEDO-SERRINHA

Chegando a Penedo, atravessamos todo o centro, continuamos pela rua principal e deixamos o carro estacionado em frente ao Mercado Dois Irmãos (rodamos 3,8km desde o portal). Caminhamos 100m mais à frente e às 10h55 entramos na primeira rua à direita, a Estrada do Córrego Frio, com placa indicando o Hotel Campestre. Altitude de 431m. Imediatamente atravessamos a ponte sobre o Ribeirão das Pedras (segundo a carta) e passamos pelo hotel à esquerda. Seguimos por essa estradinha de terra subindo suavemente e fomos à direita na bifurcação que surgiu. A estrada termina, logo após uma pequena ponte, num portão de madeira maciça que está sendo instalado na entrada de uma casa em construção logo acima. A trilha começa à esquerda da casa. Se o proprietário resolver fechar completamente esse acesso, a travessia para a Serrinha do Alambari estará comprometida, a não ser que abram uma outra picada para atingir a trilha principal, coisa que investigamos e não encontramos.

À esquerda então da casa em construção começa a trilha em forma de estradinha estreita e bastante escorregadia por causa do limo verde sobre o chão de barro. Uns 200m acima da casa uma trilha à esquerda com corrimão de madeira meio podre nos chama a atenção e entramos. Ela leva a uma cachoeira com uma pequena ponte de madeira bastante carcomida e suspeita. Só o Ronald arriscou andar sobre ela e se aproximar um pouco da queda. Uma grossa tubulação acompanha o riacho, indicando a captação de água para a vila em algum ponto mais acima. Voltando à trilha/estrada principal subimos poucos metros e outra trilha à esquerda nos levou ao alto da cachoeira, onde pudemos ver que o sistema de captação de água não está ativo. Por essa trilha continuei ainda alguns metros mas o mato foi se fechando e ela apenas acompanhava o riozinho.

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A bela cachoeira encontrada na volta

Voltamos à principal e continuamos subindo. A trilha nivela e depois desce a um ribeirão com uma cachoeira de difícil acesso à esquerda. Cruzamos pelas pedras pois a antiga ponte se espedaçou toda. A partir dali o caminho começa a se estreitar e parecer mais uma trilha mesmo. Uma curta subida e o terreno estabiliza às 11h50 no ponto onde há um acesso à direita a uma bela cachoeira com poço e lajes formando um dique natural. Nesse local a trilha principal até se alarga um pouco novamente mas logo se estreita definitivamente. Continuando, cruzamos dois riachos e junto ao segundo encontramos um rancho à esquerda. Lírios-do-brejo e capim alto escondem um pouco a trilha nessa parte, mas ela está bem marcada no chão. Cerca de 100m depois do primeiro ranchinho surge um segundo, junto a velhos pés de jaboticaba (ou alguma espécie da mesma família), porém esse totalmente destruído, com as toscas paredes de pau-a-pique se esfacelando.

A partir dali a picada toma feições de trilha da Serra do Mar, com vegetação alta e exuberante, muitas nascentes e uma quantidade incrível de pés de palmito. Numa bifurcação às 12h25 tomamos a direita para explorar e avistamos uma cachoeirinha mais abaixo, mas a trilha termina no riacho acima dela. Voltamos à principal e continuamos subindo.

Às 12h40 alcançamos uma bifurcação importante. Numa clareira com pés de jaboticaba a trilha continua em frente mas há uma outra que sai à direita e desce ao córrego. Nesse ponto (e já há algum tempo) havia uma sinalização nas árvores feita com fitas rosa. Optamos por descer à direita, cruzar o riacho e seguir as fitas. Subimos por 12 minutos e atingimos às 12h52 o fim da mata e o início de um pasto que recobre uma grande extensão da face norte da encosta. Caminhando poucos metros à frente já tínhamos visão da estrada principal da Serrinha e as casas e sítios que antecedem a praça principal do vilarejo. Aqui a altitude máxima da travessia: 810m. Antes de descer, caminhamos um pouco à direita para tentar um visual do Vale do Paraíba e conseguimos avistar parte da cidade de Resende.

Descemos o pasto por uma trilha inicialmente larga que se estreitou depois, mas não houve dúvida quando visualizamos a casa do sr Celestino mais abaixo. Descemos em ziguezague e alcançamos a casa, que contornamos pela esquerda, com os cachorros denunciando a nossa passagem. Contornada a casa, caímos numa trilha, cruzamos o Rio Alambari por um tronco-ponte e às 13h40 chegamos à estrada principal da Serrinha, bem ao lado da ONG Crescente Fértil (http://www.crescentefertil.org.br).

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Resende vista da parte mais alta da travessia

SERRINHA-PENEDO

Para o retorno a Penedo, procuramos a trilha que supostamente sai da Pedra Sonora ou da Fazenda do Sr. Nicola, segundo informações vagas que tínhamos.

A partir da Crescente Fértil caminhamos 1,1km à direita até a rua que dá acesso à Pedra Sonora e depois 250m até a pedra. Ali fizemos um lanche e experimentamos as sonoridades produzidas pela curiosa pedra. A indicação que tivemos do sítio do sr Nicola não nos pareceu interessante pois nos afastava cada vez mais do pasto pelo qual descemos, e sabíamos que esse acesso deveria se juntar em algum ponto à trilha por onde viemos. Resolvemos voltar alguns metros antes da Pedra Sonora e pegar um acesso calçado com pedras paralelas à esquerda. Entramos numa chácara e conversamos com o rapaz que veio nos receber. Pedimos permissão e ele nos deixou passar e alcançar o pasto que termina bem atrás da propriedade, às 14h28.

Subimos o pasto na direção oeste e depois sudoeste avistando abaixo a casa do sr Celestino e acima o local por onde saímos da mata vindo de Penedo. Nesse ponto o Myung começou a sentir cãibras e resolveu voltar e nos esperar na Serrinha. Eu e o Ronald alcançamos a trilha que adentra a mata às 15h22, porém à direita dela um outro caminho bastante aberto nos chamou a uma nova exploração. Essa outra trilha está bastante pisoteada pelo gado e também bastante enlameada. Com 10 minutos de descida suave, pegamos a esquerda numa bifurcação, passamos sob um pé de mexerica carregado (porém todas verdes) e descemos forte com barulho de água à direita. Era uma alta e bela cachoeira, a mais bonita de todas, com um pequeno poço. Após algumas fotos, continuamos pela trilha plana e bem marcada que acompanharia o riacho e o cruzaria algumas vezes. Nesse trajeto foi colocado um barbante como orientação para uma corrida de montanha, provavelmente já realizada.

Às 15h55 alcançamos a clareira das jaboticabeiras onde desviamos à direita na ida. Esse caminho mostrou-se mais longo que o das fitas rosa (cerca de 550m) porém a cachoeira é o prêmio para alguns minutos a mais de caminhada. Dali em diante o caminho de retorno foi exatamente o mesmo e, sem voltar a nenhuma das cachoeiras, terminamos a trilha no portão da casa em construção às 16h45. Depois mais 15 minutos de estradinha de terra até o local onde deixamos o carro.

Informações adicionais:

Extensão da trilha na ida (da casa em construção à estrada principal da Serrinha) - 3,9km
Extensão da trilha na volta (da Pedra Sonora à casa em construção) - 5,1km

Carta topográfica de Agulhas Negras: http://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/mapas/GEBIS%20-%20RJ/SF-23-Z-A-I-4.jpg.

Rafael Santiago
abril/2014

Percurso da ida na imagem do Google Earth


Percurso da ida na carta topográfica


Zoom in (real dimensions: 1024 x 678)
Percurso da volta na imagem do Google Earth


Percurso da volta na carta topográfica

quinta-feira, 20 de março de 2014

Pico Focinho de Cão (Piquete-SP) - mar/14

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Focinho de Cão e seu íngreme aceiro

As fotos estão em https://picasaweb.google.com/116531899108747189520/PicoFocinhoDeCaoPiqueteSPMar14.

O Pico Focinho de Cão tem 1663m de altitude e se destaca na paisagem serrana da cidade de Piquete, lembrando uma imensa barbatana. Ele ocupa um contraforte da Serra da Mantiqueira e seu cume escarpado, assim como toda sua crista, é rasgado por um largo aceiro.

Tomando a rodovia BR-459 em direção a Piquete, rodamos 10km a partir da Dutra e entramos numa estrada de terra à esquerda. Seguimos por 7,6km e entramos numa porteira de arame à direita que dá acesso a uma estradinha secundária logo depois de cruzar um ribeirão por uma ponte estreita de madeira. Mais algumas porteiras e deixamos o carro próximo a uma casa. Altitude de 646m e dali em diante a subida seria toda a pé mesmo.

Às 8h03 demos início à longa pernada tomando a trilha larga à esquerda da casa e cruzando um colchete. Menos de 200m depois, após uma suave curva à esquerda, saltamos um riacho e seguimos em frente desprezando uma saída à direita. Passada mais uma casa, um galpão e outro colchete, começa a subida de verdade, por uma estrada abandonada e com pontos profundos de erosão. Na bifurcação em T mais acima fomos para a esquerda e a subida tornou-se ainda mais íngreme e cansativa sob um sol impiedoso logo cedo.

Às 8h54 finalmente entramos na sombra da mata, subimos mais um pouco e a trilha então nivelou até atingir um novo colchete. Ultrapassando-o, imediatamente deve-se abandonar essa trilha em favor de uma outra bem mais estreita e com início bastante discreto a partir de um degrau à direita. Porém esse local abriga a única fonte de água de todo o caminho e por isso descemos um pouco à frente para abastecer os cantis. Retornamos ao colchete e entramos às 9h24 na trilha mais fechada, agora à esquerda.

Não houve nenhuma dificuldade nesse trecho e em 14 minutos desembocamos num caminho mais largo, onde prosseguimos à esquerda. A partir daqui passamos a caminhar pela estrada de manutenção das torres de alta tensão, estrada essa bastante tomada pelo mato e reduzida a trilha em boa parte do percurso.
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Marins, Itaguaré e a Serra Fina à direita

Cerca de 200m depois uma outra "estradinha" entronca à direita mas continuamos em frente pois essa saída termina num instante em uma torre. O mato a partir dali está mais alto e já tomando conta do caminho. Mais 350m e uma outra trilha sai à esquerda, porém leva igualmente a uma torre, e continuamos à direita (vale a pena subir poucos metros à esquerda para uma bela visão do pico, ainda muito distante). Às 10h enfim alcançamos o aceiro da Imbel, pontuado por marcos de concreto parecidos com pequenas lápides onde se lê FPV (Fábrica Presidente Vargas). Porém a estrada de manutenção continua à esquerda e preferimos caminhar por ela pois o aceiro tem muito sobe e desce e é muito exposto ao sol. Em 13 minutos pela estrada alcançamos uma bifurcação em T e seguimos para a direita, reencontrando o aceiro em mais 8 minutos, às 10h21.

Nesse ponto encontram-se vários caminhos. A estrada/trilha onde estávamos se divide em duas, sendo que a continuação em frente supostamente desce para a fábrica e a ramificação da esquerda corre paralela ao aceiro ainda durante bastante tempo. Cortando essa bifurcação está o próprio aceiro, bem mais acidentado. Por ser mais fácil e agradável caminhar pela estrada sombreada, seguimos subindo por ela à esquerda. E assim foi enquanto ela se manteve paralela ao aceiro, reencontrando ele ainda mais seis vezes, totalizando oito vezes. Na oitava vez a estrada se fundiu ao aceiro por cerca de 300m mas depois saiu novamente à esquerda, porém começou a divergir para sudoeste e a descer, o que nos fez abandoná-la e voltar ao aceiro (que a essa altura apontava diretamente para oeste) para seguir por ele até o cume.

Já estávamos a 1364m de altitude, havíamos vencido um desnível de 718m, porém o pior estava por vir: um desnível de 300m em apenas 1,1km! Nessa hora nos distanciamos um do outro pois as subidas muito íngremes e o forte calor testaram a resistência de cada um. A recompensa vinha em forma de uma paisagem cada vez mais ampla e estonteante. Por fim, cheguei ao cume do Focinho de Cão às 12h48 e registrei a altitude de 1663m. A visão é incrível, tanto do Vale do Paraíba pontilhado de cidades grandes e pequenas, quanto da própria Serra da Mantiqueira, cuja cumeeira corre separada do Focinho por um imenso vale. Ao norte as antenas do Pico do Ataque, a nordeste o imponente conjunto Marins-Itaguaré e ao sul uma imensa cachoeira desconhecida despencando num paredão da serra.
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Cume do Focinho de Cão

O que surpreendeu é que o pico é o final do aceiro e não tem nenhuma conexão com o topo da serra, onde também corre um aceiro. Todos os outros lados do pico, com exceção da face leste (onde está o aceiro), são abismos imensos.

O sol estava castigando mas conseguimos nos abrigar no meio de algumas árvores, porém o descanso não durou muito e às 14h demos iníco à descida, exatamente pelo mesmo caminho. O retorno foi bem mais rápido e às 15h26 já estávamos na confluência do aceiro com a bifurcação da estrada, aquela onde passamos às 10h21. Continuamos pela estrada, entramos na trilha mais fechada e alcançamos sedentos o ponto de água às 16h22. Um rápido descanso, saímos da mata e descemos pela estradinha abandonada até as casas, chegando ao carro às 17h46.

Informações adicionais:

O Pico Focinho de Cão fica numa área restrita e é necessário autorização da Imbel para subi-lo. Se for seguir esse relato sem essa permissão, vá por sua conta e risco.

A cidade de Piquete é servida pelos ônibus da empresa Pássaro Marron (http://www.passaromarron.com.br), porém se for de ônibus acrescente uma caminhada de 10km por estradas de terra até o início da trilha.

Cartas topográficas:
. Delfim Moreira: http://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/mapas/GEBIS%20-%20RJ/SF-23-Y-B-VI-1.jpg
. Lorena: http://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/mapas/GEBIS%20-%20RJ/SF-23-Y-B-VI-2.jpg

Rafael Santiago
março/2014

Percurso na carta topográfica do IBGE (clique na imagem para ampliar)

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Travessia da Serra da Pedra Aguda (Itajubá-MG) - fev/14

ImagemPedra Aguda

As fotos estão em https://picasaweb.google.com/116531899108747189520/TravessiaDaSerraDaPedraAgudaItajubaMGFev14.

A travessia da Serra da Pedra Aguda é uma caminhada de largas e belas paisagens e um clássico entre os montanhistas da região de Itajubá. Resolvemos nesse fim de semana explorar essa trilha marcada por fortes subidas e descidas e para nossa surpresa fomos presenteados com a ótima companhia dos mais experientes trekkers locais.

Eu e o Ronald deixamos o Hotel Real logo cedo e rumamos para o bairro Medicina, na região central de Itajubá. Estacionamos o carro na esquina das ruas Orlando Mohalen e Delfim Moreira e às 8h10 demos início à pernada subindo a própria rua Orlando Mohalen na direção do prédio da Panorama FM (nordeste), já visível dali. Em 8 minutos cruzamos um portão elétrico de ferro e continuamos subindo pela rua calçada de blocos sextavados. Ao atingir o prédio da rádio por trás, avistamos a pequena estátua do Cristo e fomos em sua direção, ganhando o largo pátio. Apesar da pouca caminhada, a visão dali já era muito ampla, indo desde a Pedra Chita de Piranguçu a sudoeste até o Morro do Cantagalo a leste, com a cidade toda a nossos pés.

O nosso próximo objetivo também estava visível e bem próximo: o Morro das Antenas, coroado por um conjunto delas de tamanhos e formatos variáveis. Indo em sua direção dávamos início então à famosa travessia da Serra da Pedra Aguda. O começo é um tanto pitoresco, ao passar ao lado de uma casa e por dentro de um curral, com a devida licença do dono (e das vacas), para alcançar uma estradinha à direita toda coberta de capim. Ultrapassadas duas cercas através de quebra-corpo, às 8h52 já estávamos ao lado das antenas contemplando um visual ainda mais impressionante da cidade, das serras e montanhas. Já era possível distinguir melhor o Pedrão de Pedralva/Maria da Fé ao norte, visualizado por sua face recoberta de pasto e mata (suas faces oeste e norte são um alto e longo paredão de granito).

À esquerda das antenas um portão de ferro dá acesso a uma estradinha de terra que as atravessa e proporciona visão de algumas das montanhas que fazem parte dessa serra e estão no caminho da travessia, como o Pico do Galo e a própria Pedra Aguda. Depois de uma porteira e de uma outra antena solitária à esquerda, a estrada faz uma curva para a esquerda. E foi exatamente aí, 200m após a última antena, que deixamos a estradinha em favor do pasto em frente, caminhando por trilha muito bem marcada pela crista da serra. Trilha esta que logo está correndo entre arbustos e penetra enfim no frescor da mata, às 9h19. Seguimos à esquerda nas duas bifurcações seguintes e logo caímos numa outra estradinha de terra que sobe da esquerda. Fomos para a direita e num instante a ladeira se torna bastante íngreme e erodida, embicando na direção de uma torre de alta tensão, onde ela termina, ou melhor, transforma-se numa trilha que passa sob a torre, quebra para a direita e sobe até um paredão de pedra, às 9h44.
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Pico do Galo

Pela altura e dificuldade desse paredão, uma corda foi fixada para apoio e segurança, mas nós tivemos a sorte de encontrar, além de uma corda novinha, duas escadas de metal fixadas na rocha, o que facilitou bastante a pequena escalada. Mas depois soubemos que esse privilégio só se deu pelos preparativos que a trilha toda está recebendo para uma competição a se realizar no próximo domingo, dia 16. Além da limpeza com facão, a trilha está recebendo uma nova sinalização com fitas laranja (em quantidade enorme, para ninguém botar defeito) e fitas zebradas para evitar que eventualmente se saia do caminho certo.

Depois da corda, a subida continua por trilha. Esse morro que estamos subindo é o Morro Grande (ou da Canastra) e atingida a altitude de 1252m, às 9h55, começa a descida. Uma passagem inusitada por um "caramanchão" baixo, de cerca de 1m de altura e alguns metros de extensão, deverá servir como obstáculo à pressa dos competidores durante a prova. Entre o arvoredo à frente já se avista um dos próximos picos a subir, o Pico do Galo. Na descida bastante íngreme do Morro Grande, alguns degraus foram escavados na terra e uma sequência de quatro cordas facilita a descida, evitando maltratar demais os joelhos. Ao final da descida, às 10h10, surge uma bifurcação em T onde seguimos à direita, subindo suavemente. Ao alcançar uma cerca, reparamos no enorme jequitibá à direita, talvez a maior árvore que se vê em toda a travessia.

Atravessada a cerca, tomamos a trilha que sobe forte à esquerda, rente a ela, iniciando a subida do pequeno Morro do Garnisé. A inclinação da trilha e a terra solta dificultam um pouco o avanço. Em poucos minutos a trilha cruza a cerca novamente à esquerda e atingida a altitude de 1275m, às 10h31, já estamos descendo o Garnisé. Aos 1247m iniciamos a subida do Pico do Galo, a princípio bem suave mas depois numa sequência de trepa-pedras. Até aqui já havíamos alcançado um casal de Itajubá que começou a travessia um pouco à nossa frente, mas no cume no Galo, às 11h05 e 1395m de altitude, conhecemos todo o pessoal que estava fazendo a travessia e a manutenção da trilha para a competição, num total de 14 pessoas.

Após um breve descanso, seguiu-se a descida do Galo, novamente íngreme e com terra solta, até alcançar uma grande clareira com uma enorme touceira de bambu no meio. O que marca esse local também é a trilha que sai à direita e desemboca na estrada que liga a cidade ao bairro de Anhumas, dando a possibilidade de fazer meia travessia da serra apenas.
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No mirante da Pedra Aguda

A subida a seguir se abre para um pequeno pasto à direita e proporciona bela visão dos picos seguintes: a Pirâmide e a Pedra Aguda. Mais à frente cruzamos uma cerca e atravessamos um trecho de mata de uns 300m que nos lançou a outro grande gramado, assim que pulamos outra cerca. Novamente o grupo fez uma pausa para descanso e jogar conversa fora. Partimos às 11h54 e dali em diante começamos a subida do Pico da Pirâmide pela trilha que percorre a parte mais alta do pasto, bem junto à mata à esquerda, até adentrá-la por fim. Às 12h28 passamos rapidamente pelos 1532m do cume da Pirâmide, descemos aos 1483m e iniciamos enfim a subida da Pedra Aguda, o último e mais alto dos picos dessa serra. O avanço foi um pouco lento pois o grupo da frente ia limpando a trilha com facão e amarrando fitas laranja para reforçar a sinalização. Eles disseram que as fitas vermelhas são as mais antigas, da época da abertura da travessia, em 2006. A direção geral da travessia, que era para o sul, passa a ser grosso modo para sudoeste.

E assim às 13h20 atingimos o cume da Pedra Aguda, a 1587m, segunda montanha mais alta do município de Itajubá, perdendo apenas para a Pedra de Santa Rita (ou Pedra do Rio Manso). O mirante natural que se tem está voltado para os quadrantes norte e oeste, em que se avistam a Pedra Vermelha e o observatório de Brasópolis a sudoeste, e Itajubá, o Pedrão de Pedralva/Maria da Fé e a Serra da Pedra Branca de Conceição das Pedras/Cristina ao norte, além é claro de uma infinidade de montanhas e serras a perder de vista.

Após um descanso, um lanche e muitas fotos, às 13h54 demos início à descida final da serra mergulhando na sombra da mata novamente através de uma trilha bastante íngreme e de altos degraus naturais de raízes e pedras. Pela forte inclinação, a descida foi rápida. Aos 1380m, numa grande clareira, a descida suaviza e a trilha quebra para a direita e começa a acompanhar uma cerca. Logo a sombra da mata fica para trás e o sol inclemente passa a ser nosso companheiro enquanto cruzamos o pasto à esquerda na direção de um final de estrada de terra vermelha.

Seguindo pela estrada cruzamos uma porteira de arame e tivemos a última visão da cidade de Itajubá para trás num lugar chamado de Portal. Às 14h45 chegamos à Gruta do Quilombo, à direita da estradinha, cercada por lendas mas que se resume apenas a uma boca com rochas desmoronadas e muitos morcegos lá dentro apesar da luz que entra pela frente e por uma abertura no fundo. A turma toda se reuniu de novo para a descida final da estrada em direção aos carros, estacionados mais abaixo. Apesar do grande número de pessoas, nos ofeceram carona até a cidade, o que aceitamos sem pestanejar já que isso nos pouparia 7,5km de estrada num calor desumano.

Da gruta então bastou continuar descendo e atravessar outra porteira de arame. A visão do paredão rochoso da Pedra Vermelha bem mais perto é sensacional. Já nos carros, às 15h36, foi só cruzar a última porteira de madeira e cair na estrada de terra que vem de Itajubá (direita) e vai aos bairros Berta e Estância (esquerda). Após uma breve parada num sítio do caminho, às 15h57 estávamos de volta ao carro, deixado no bairro Medicina, agradecendo a mais que bem-vinda carona.

Se fosse sábado, teríamos a opção de voltar ao centro pegando o ônibus que sai do bairro Berta às 17h15 e tem ponto inicial no mercado municipal de Itajubá.
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Pedra Aguda

Informações adicionais:

Importante: essa travessia não possui nenhuma fonte de água. Deve-se levar toda a água a ser consumida. Felizmente não é uma travessia muito exposta ao sol, há muita sombra da mata, mas se a volta for a pé pela estrada é bom se precaver com chapéu, protetor solar e mais água.

Horários de ônibus Itajubá/Berta:
Expresso Valônia - fone 35-3621-1414

. de Itajubá (mercado) ao bairro Berta:
seg a sáb - 5h45, 12h e 16h30
dom e feriado - não há

. do bairro Berta a Itajubá (mercado):
seg a sáb - 6h30, 12h45 e 17h15
dom e feriado - não há

Carta topográfica de Itajubá: http://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/mapas/GEBIS%20-%20RJ/SF-23-Y-B-III-3.jpg

Rafael Santiago
fevereiro/2014
Zoom in (real dimensions: 1104 x 719)

Travessia na carta topográfica do IBGE (clique na imagem para ampliar)




Travessia na imagem do Google Earth (clique na imagem para ampliar)